Veja o que disse Jr. do Nenzin em depoimento à polícia

A Polícia continua as buscas na tentativa de prender o ex-candidato a prefeito de Barra do Corda Manoel Mariano de Sousa Filho, o “Júnior do Nenzim” ou “Vaqueiro da Barra”, de 47 anos, envolvido no assassinato do próprio pai, o ex-prefeito do município Manoel Mariano de Sousa, conhecido como “Nenzim” (PV), de 78 anos. O crime foi consumado na manhã de quarta-feira (6) e deixou perplexos os moradores de Barra do Corda. “Júnior do Nenzim”, que estava com o pai no momento do assassinato, foi acusado formalmente pela polícia por envolvimento no crime e teve sua prisão pedida ao juiz de Barra do Corda, Antônio Elias Queiroga Filho. Ele estava foragido até às primeiras horas da madrugada desta sexta-feira (8).

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela, disse ao Jornal Pequeno que “Júnior do Nenzim” estava roubando gado do próprio pai. Teria roubado mais de 500 cabeças de bovinos, e quando viu que o pai estava prestes a descobrir o ilícito, planejou assassiná-lo, com a ajuda de dois vaqueiros.

Um desses vaqueiros, identificado como Luzivan, foi preso ontem. Também está preso um homem identificado como David, que providenciou para apagar os resquícios do homicídio, mandando lavar a picape Ranger de “Júnior do Nenzim”, na qual o ex-prefeito foi morto.

Jefferson Portela disse ao JP que, ao contrário da versão contada por “Júnior”, o ex-prefeito foi morto dentro do carro, e não fora. Um terceiro vaqueiro, também do grupo de ladrões de gado de “Júnior do Nenzim”, é procurado pela polícia.
Jefferson Portela garantiu ao JP que o caso está elucidado, só faltando realizar a prisão de “Júnior do Nenzim”. Maiores detalhes do caso devem ser apresentados pela polícia, provavelmente nesta sexta (8). Para a polícia, foi próprio “Júnior” quem atirou no pai, dentro do carro, com um revólver calibre 38, ainda não apreendido.

VERSÃO DO ACUSADO

Ao ser ouvido pela polícia, “Júnior do Nenzim” disse que o pai havia sido morto por dois pistoleiros que estavam numa moto. No entanto, o secretário de Segurança afirmou que não há dúvidas sobre a autoria, que, segundo Portela, “está comprovada pelo conjunto probatório de fartos indícios e exames periciais”.

Desde o início da investigação, a cúpula da Polícia Civil maranhense estranhou que os supostos pistoleiros não tivessem executado também o filho de “Nenzim”.

“Está tudo muito estranho para ser um crime de pistolagem típico”, disse Portela ao blog O INFORMANTE, já na madrugada desta quinta-feira, depois de retornar de Barra do Corda, onde acompanhou as primeiras apurações, junto com o delegado Lúcio Reis (titular da Superintendência Estadual Homicídios e proteção à Pessoa), que também investigou o caso.

Sem a ajuda de imagens de câmeras ou de testemunhas que tivessem presenciado o assassinato, a polícia se deteve especialmente no depoimento de “Júnior do Nenzim”, que dirigia a picape Ranger ocupada pelo pai momentos antes de ser morto a tiros.

Segundo contou “Júnior do Nenzim” a dois delegados que o ouviram, ele e o pai, que se dirigiam a um encontro na casa de um advogado, trafegavam no perímetro urbano de Barra do Corda, quando “Nenzim” pediu para o filho parar o veículo, pois queria urinar. “Júnior” contou que quando o ex-prefeito estava urinando, com a cabeça baixa, surgiram dois homens numa moto, sendo que o “carona” sacou de uma arma de fogo e atingiu “Nenzim” na nuca. O único alvo foi “Nenzim” – “Júnior” não foi ferido.

SITUAÇÕES INTRIGANTES

O JP apurou que duas situações no relato de “Júnior do Nenzim” intrigaram a polícia: o fato de que “Júnior” não teria levado, imediatamente, o pai para ser socorrido na UPA (ele teria passado antes por dois locais) e o motivo pelo qual ele teria mandado lavar a picape, poucos momentos após o homicídio, antes de o veículo ser periciado pela Polícia Civil.

“Nenzim” e o filho “Júnior do Nenzim” estavam indo se encontrar com um advogado para tratar da ação que movem na Justiça Eleitoral contra o atual prefeito de Barra do Corda, Wellryk Oliveira Costa da Silva, o Eric Costa (PCdoB), para tentar anular a eleição de 2016 no município. “Júnior” ficou em 2º lugar no pleito, com 20.638 votos (47,80%). Eric Costa teve 22.338 votos (51,73%).

Do Jornal Pequeno

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