A um passo do PRB, Brandão caminha para superar revés sofrido no PSDB

Quem subestimou a capacidade política do vice-governador Carlos Brandão – no momento no exercício do cargo –, pode ter cometido um erro de avaliação. O café da manhã no qual reuniu ontem 27 dos 30 prefeitos eleitos pelo PSDB com o presidente estadual do PRB, deputado federal Cleber Verde, demonstrou claramente que ele já virou a página do seu dramático desligamento do ninho dos tucanos, no final do ano que passou. Depois de uma série de conversas com diversos líderes partidários, o vice-governador encontrou abrigo no PRB, negociando com Cléber Verde uma aliança, antes improvável, para ingressar no partido, podendo ser acompanhado por muitos prefeitos que compareceram ao encontro e que estariam insatisfeitos sob a liderança partidária do senador Roberto Rocha (PSDB).

É verdade que atender ao convite para o café não significa a adesão automática deles à proposta de mudança de partido. Mas é verdade também que a maioria desse grupo de prefeitos poderá ingressar no PRB, a começar pelo fato de que eles foram eleitos com o incentivo direto de Carlos Brandão e com o aval do governador Flávio Dino, certos de que o PSDB permaneceria na base governista. Agora, esses prefeitos estão entre a cruz e a espada: não querem deixar a base governista estadual, mas também não querem perder o link federal pela via do tucanato. E aí surge a indagação: com quem ficarão?

Outra parte dessa equação envolve diretamente o PRB. O partido elegeu 14 prefeitos – entre eles Fábio Gentil, de Caxias -, mas que se ganhar, nesse acordo, o reforço de mais vinte – que certamente serão acompanhados por muitos vereadores -, entrará na corrida eleitoral deste ano com mais de 30 prefeitos, como o segundo maior partido do Maranhão em número de prefeituras, só perdendo para o PCdoB (46). Esse reforço excepcional na estrutura do PRB dará a Cleber Verde um ganho formidável de musculatura no comando nacional do partido.

E em qualquer situação, se a operação for confirmada, e ele consiga levar pelo menos metade dos prefeitos tucanos inconformados para o PRB, o vice-governador sairá da reviravolta por cima, credenciando-se continuar como companheiro de chapa do governador, o que abre a possibilidade concreta de vir a ser o titular em 2022.

Coluna Repórter Tempo 

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